Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

Nunes abusa de dispositivo legal para minar licitações – 04/03/2025 – Opinião

Um homem com cabelo escuro e barba está falando em um microfone. Ele usa um terno azul e uma gravata azul clara. Ao fundo, há bandeiras do Brasil e de outros países. O homem gesticula com a mão direita enquanto se expressa.

Pouca transparência na execução de políticas públicas sinaliza má gestão do dinheiro dos contribuintes e até corrupção, além de dificultar o escrutínio das práticas de governo pela sociedade. Entretanto a Prefeitura de São Paulo sob o comando de Ricardo Nunes (MDB) insiste nessa conduta duvidosa.

Em 2024, ano em que Nunes venceu a eleição, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras assinou 28 contratos sem licitação com base no regime de emergência no valor de R$ 810,3 milhões. Desses, 8 não foram respaldados por laudos da Defesa Civil e representam quase a metade do gasto total na categoria de urgência (R$ 391 milhões).

Mesmo que a análise da Defesa Civil não seja obrigatória, trata-se de mais um elemento que coloca em suspeição o uso que a prefeitura tem feito do regime de emergência —instituído por decreto em 2019 para agilizar ações em “situação que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens”.

Por dispensar licitações, exige-se apresentação de informações minuciosas e, se necessário, “laudo técnico” e “relatório de risco”.

O modelo é essencial para proteger vidas, mas sua aplicação deveria ser criteriosa. O que se vê, porém, é uma interpretação elástica da sua aplicabilidade, o que suscita questionamentos sobre a lisura do processo —ainda mais ao se considerar interesses políticos em período eleitoral.

Tal fenômeno em 2024 é a ponta do iceberg. Entre setembro de 2021 e dezembro de 2023, a prefeitura contratou 140 obras emergenciais que custaram R$ 2,2 bilhões —65% da verba direcionada ao combate a enchentes. Ademais, das 41 empresas responsáveis por realizá-las, 10 concentraram 63% do montante (R$ 1,4 bi).

Nunes assumiu a prefeitura em maio de 2021. A Folha mostrou que de 2020, último ano completo do mandato de Bruno Covas (PSDB), a 2022, o valor gasto com obras sem licitação pelo regime emergencial aumentou 1.313%, sem apresentação de justificativa para o salto exorbitante.

Além de dúvidas quanto à retidão, há indícios de mau planejamento. Parte significativa das obras relacionadas a enchentes são pontuais, em vez de estruturais. Ou seja, não resolvem as causas do problema e geram mais gastos no curto prazo.

Nunes deve explicações aos paulistanos —até porque se comprometeu em abril do ano passado a vetar o uso arbitrário do regime emergencial. Já a Câmara Municipal precisa exercer sua função institucional e monitorar a aplicação desse dispositivo.

editoriais@grupofolha.com.br



Fonte ==> Folha SP

Relacionados

Principais notícias

O Crime Quase Perfeito: A Fraude de Diplomas que Engana o Brasil
MP recomenda suspensão do IPTU em Barra de São Miguel após aumentos de até 215%
Stronger targeting starts with aligned personas and ICPs

Leia mais

EUA propõem ao Brasil "exportação" de criminosos estrangeiros
EUA propõem ao Brasil "exportação" de criminosos estrangeiros
As melhores e as piores bebidas para os rins, segundo nutricionista
Doença renal avança no país e expõe gargalos de acesso à diagnóstico precoce e à diálise
Direita marca presença na posse do novo presidente do Chile
Direita marca presença na posse do novo presidente do Chile
Irã diz que jogadoras asiladas na Austrália são como "reféns"
Irã diz que jogadoras asiladas na Austrália são como "reféns"
Paquistanês é condenado por planejar assassinato de Trump
Irã ataca petrolífera no Bahrein; Trump minimiza alta do petróleo
ataques a petrolíferas ameaçam suprimento global de petróleo
ataques a petrolíferas ameaçam suprimento global de petróleo