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Preço dos combustíveis: Petrobras nega defasagem

Guerra no Irã e preço da gasolina: impactos na Petrobras

A Petrobras contesta dados do mercado que apontam preços internos até 48% menores que a cotação internacional, levantando debates sobre intervenção política. A estatal nega perdas bilionárias relacionadas ao **preço dos combustíveis**. Em resposta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 3 de abril, a estatal afirma que não há uma defasagem crítica nos preços do diesel e da gasolina praticados no mercado interno.

A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), porém, registrou em 2 de abril uma defasagem da Petrobras de 48% no diesel e 42% na gasolina. Ou seja, os preços domésticos estão significativamente abaixo do que seria cobrado se seguissem rigorosamente a cotação internacional do petróleo.

Este cenário sugere ao mercado que decisões técnicas podem estar sendo suplantadas por pressões políticas de controle inflacionário, especialmente em um ano eleitoral.

Abicom aponta defasagem de R$ 1,69 no diesel

A divergência central reside na métrica de cálculo e na transparência da formação dos preços. Em 2 de abril, a Abicom apontou que o óleo diesel está sendo vendido com uma defasagem de R$ 1,69 por litro nas refinarias nacionais.

A gasolina, por sua vez, apresenta um hiato de R$ 1,03 frente à paridade internacional — isto é, ao preço que seria praticado se acompanhasse a cotação do barril tipo Brent convertida em reais.

A Petrobras afirma não reconhecer tais estimativas de perdas bilionárias. A estatal defende que seus reajustes não seguem uma periodicidade fixa, baseando-se em análises técnicas que priorizam as condições de refino e logística internas para mitigar a volatilidade externa.

O recente reajuste de R$ 0,38 no diesel gerou pressão direta dos caminhoneiros sobre o Palácio do Planalto. Em 24 de março, o governo propôs um subsídio de R$ 1,20 por litro — dividindo o custo entre a União (R$ 0,60) e os Estados (R$ 0,60) — como forma de assegurar o piso mínimo do frete.

A alta acumulada de 24% no barril de petróleo desde o início do conflito no Oriente Médio ameaça paralisar a logística nacional, o que, consequentemente, elevaria os preços de alimentos e produtos essenciais para o consumidor final.

Aviação sofre reajuste de 54,8% no querosene

A crise de custos se estende a outros setores estratégicos. O querosene de aviação (QAV) sofreu um expressivo reajuste de 54,8%, anunciado pela Petrobras em 1º de abril. Este insumo representa cerca de 45% dos custos operacionais das companhias aéreas.

A guerra no Irã, iniciada com os ataques dos EUA e Israel em 28 de fevereiro, pressiona fortemente os preços das passagens aéreas brasileiras. Nos 12 meses acumulados até março, as passagens subiram 23,6% — mais de seis vezes a inflação oficial do período, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Rafael Minotto, analista da Ciano Investimentos, resume a gravidade do cenário: “O reajuste de 54,8% é o maior da história. Isso acarretará aumento de passagens e desistência de voos. As companhias vão deixar parte da frota parada, podendo levar a um apagão logístico.” O preço das passagens aéreas poderá ter uma alta mensal de até 36%, segundo projeções da Warren Investimentos.

Além do setor de aviação, o gás de cozinha (GLP) também sofreu forte pressão. Em 2 de abril, o presidente Lula anunciou a anulação de leilões da Petrobras que registraram preços até 100% superiores à tabela oficial.

Governo sinaliza maior presença estatal na energia

O mercado financeiro e o setor produtivo questionam se as decisões técnicas da companhia estão sendo suplantadas por pressões políticas visando o controle inflacionário. As afirmações da Petrobras sobre a sua “estratégia comercial” e a “ausência de perdas” poderão ser verificadas com maior clareza nos próximos balanços financeiros trimestrais.

Esses balanços revelarão o real impacto das margens de refino — ou seja, o lucro obtido por litro de combustível processado — frente à escalada da cotação do Brent.

Paralelamente, o governo reduz impostos sobre o QAV e o diesel para os consumidores finais e planeja recomprar a BR Distribuidora até 2029. Tais movimentos sinalizam uma clara intenção de maior presença estatal no setor de energia.

Para o setor privado, a manutenção dessa política de “colchão contra a volatilidade” pode significar um alívio inflacionário no curto prazo. Contudo, levanta sérias dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal do país — isto é, se o Estado brasileiro conseguirá manter esses subsídios sem comprometer o equilíbrio de suas contas públicas.

Além disso, o cenário atual questiona a segurança jurídica de longo prazo, fator essencial para atrair novos investimentos privados em infraestrutura e importação no Brasil.



Fonte ==> UOL

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