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Solidão é questão de saúde pública – 05/11/2026 – Opinião

Solidão é questão de saúde pública - 05/11/2026 - Opinião

“O homem é um ser sociável, não menos do que racional.” Assim o filósofo David Hume expressa a ideia de que as relações humanas não são só uma fonte de satisfação emocional, mas um traço constitutivo da nossa natureza.

Por isso a dimensão global do isolamento e da solidão preocupa a Organização Mundial da Saúde. De acordo com estudo de 2025 da sua Comissão sobre Conexão Social, 1 em cada 6 pessoas no mundo se sente sozinha, o que equivale a 16,7% da população.

Estima-se que a solidão (percepção subjetiva) e o isolamento social (escassez objetiva de interações) estejam associados a 871 mil mortes anuais. O fenômeno tem relação com a saúde mental, dobrando a probabilidade de depressão, e a saúde física, elevando o risco de doenças cardiovasculares, diabetes, declínio cognitivo e morte prematura.

A taxa de solidão é maior (20,9%) no estrato entre 13 e 17 anos e menor acima dos 60 anos (11,8%). Mas idosos são mais suscetíveis ao isolamento, devido a perda de pessoas próximas, aposentadoria, problemas de saúde e mobilidade e barreiras digitais.

Ao mesmo tempo em que ajudam a eliminar barreiras geográficas, facilitam a formação de comunidades e fortalecem relações preexistentes, as tecnologias de comunicação como as redes sociais podem aumentar a solidão, com substituição das conexões presenciais, comparação social, interações superficiais, assédio, cyberbullying e dependência.

Adolescentes, nativos do ambiente digital, são mais vulneráveis.

No Brasil, a pesquisa Panorama da Saúde Mental 2026, realizada por Instituto Cactus e AtlasIntel, aponta que 36,5% relatam solidão e que esse foi o fator de risco mais fortemente associado à pior saúde mental. Entre os que utilizam redes sociais por três horas ou mais diariamente, 46,8% relatam solidão, ante 26,1% entre usuários moderados.

A OMS identificou apenas oito países com estratégia nacional para tratar do tema, como Alemanha, Reino Unido e Suécia —o Japão conta com ministro para tal.

Além de monitorar indicadores, a entidade preconiza espaços públicos acessíveis, bibliotecas, parques, centros comunitários e locomoção facilitada. Na atenção básica à saúde, é preciso identificar pessoas em risco, com foco nos estratos mais vulneráveis, oferecer atendimento psicológico e encaminhá-las a atividades comunitárias —prática conhecida como prescrição social.

Como as plantas que precisam da luz solar, humanos dependem de relações interpessoais para desenvolver seu potencial.

editoriais@grupofolha.com.br



Fonte ==> Folha SP

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