O governo Lula (PT) decidiu demitir o presidente do INSS, Gilberto Waller Jr., sob o argumento de “virar a página” do escândalo dos descontos associativos e focar a redução da fila, cujo aumento recorde expõe a fragilidade da promessa feita pelo petista em 2022. Ao que tudo indica, a espera dos segurados vai virar bandeira de campanha mais uma vez.
A pergunta que fica é: como virar uma página que ainda não foi escrita até o fim? O governo ressarciu os R$ 3,3 bilhões surrupiados de aposentados que sofreram os descontos indevidos, mas quem reembolsará o contribuinte? Como os envolvidos no esquema bilionário serão punidos?
É inegável que o problema da fila é urgente e precisa ser enfrentado com seriedade. Mas a punição exemplar dos envolvidos nas fraudes será o alicerce da defesa do órgão contra pressões e desvios no futuro. A dedicação a uma dessas batalhas não inviabiliza a outra.
Durante quase um ano, Waller Jr. concentrou esforços na correção das irregularidades. Com isso, pecou na gestão do principal serviço prestado pelo INSS: a concessão de benefícios.
Mas a fila ter alcançado o recorde de 3,1 milhões de pedidos não é problema de um único culpado. A Dataprev fornece sistemas que ficam fora do ar com frequência. Órgãos de governo atuam para segurar as concessões quando o Orçamento aperta. Revisões são necessárias, mas não deveriam servir para retardar o acesso de quem tem direito. No fim das contas, o estoque de pedidos já estava até caindo nos últimos meses.
A crítica pertinente à gestão da fila foi usada pelo governo como desculpa para se livrar de alguém que sempre foi um estranho no ninho. Sem vinculações com o PT de Lula ou o PDT do ministro Wolney Queiroz, Waller Jr. era considerado representante da oposição.
Agora, não há mais bode expiatório. O sucesso ou fracasso da redução da fila dependerá diretamente da capacidade de Lula e seus auxiliares implementarem um plano eficaz para lidar com o problema.
Fonte ==> Folha SP