Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

A ANS deve liberar planos de saúde sem internação? SIM – 28/02/2025 – Opinião

Estetoscópio em cima de uma guia de plano de saúde

Reza o artigo 196 da Constituição brasileira que a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantindo o acesso universal e igualitário a ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

Sua abrangência, uma população de mais de 216 milhões de pessoas distribuídas em um território de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, impõe desafios substanciais entre a determinação legal e a capacidade prática de seu efetivo cumprimento.

Por óbvio, a solução integral é complexa e passa por atacarmos alguns desafios isoladamente. Para um dos mais graves e urgentes, a celeridade no acesso ao sistema de saúde, há, agora, a proposta em estudo pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) da implementação em um ambiente regulatório experimental de plano de saúde com cobertura limitada a consultas eletivas e exames no âmbito ambulatorial, ou seja, sem internações. A análise deste produto precisa ser pautada em dados para a devida compreensão de sua contribuição social, a começar pelo impacto positivo no Sistema Único de Saúde.

Mundialmente reconhecido pela excelência e pelo gigantismo, o SUS enfrenta críticas entre a população. Existe a percepção, por vezes cética, do serviço não pela qualidade assistencial, mas pela dificuldade de acesso com prazos infindáveis para a marcação de consultas e de exames ambulatoriais. Em 13 capitais brasileiras, o tempo de espera para consultas passa de um mês. Em Cuiabá, a espera média é de 197 dias.

A fila é um reflexo da alta demanda. Pesquisa Datafolha mostra que já há uma década a maior busca dos brasileiros ao acessar o SUS é pelo pronto atendimento (81%), seguida por consultas (79%). Já a parcela que o usa para internações cai a 32%, e por tratamentos de alta complexidade, como quimioterapia, a 10%. Ampliada a oferta de consultas pelas operadoras, o uso do sistema público para tratamentos complexos tende a cair ainda mais, já que de 80% a 90% das demandas de saúde como um todo são resolvidas na atenção primária e secundária, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Diante desses dados, é indiscutível que a oferta de um plano ambulatorial pelas operadoras pode ajudar a resolver um dos maiores descontentamentos dos cidadãos. Condições para que esse modelo opcional de plano funcione são necessárias e passam por regras claras, por um ambiente regulatório fortalecido e pela segurança jurídica de que o que está estabelecido no contrato será respeitado e não fragilizado —ou mesmo inviabilizado por eventual judicialização indevida.

Ademais, é importante destacar que, diante da atual impossibilidade regulatória de o setor de saúde suplementar atender a essa demanda reprimida, surgiu no Brasil um mercado paralelo não regulamentado que hoje atende mais de 40 milhões de pessoas. Cartões de desconto são oferecidos por mensalidades de R$ 30, que dão direito a descontos em consultas. Se estivesse dentro da lei, tal produto seria classificado como plano ambulatorial com coparticipação.

Abrir a chancela legal para que a saúde suplementar ofereça um plano para consultas eletivas e exames é trabalhar pelo diagnóstico cada vez mais precoce em prol da população brasileira, pelo fortalecimento da cultura da medicina preventiva no Brasil e pela segurança clínica dos mais de 216 milhões de cidadãos —logo, pelo desafogamento do SUS.

Aos críticos desse modelo, que creem que a população não deva ter a oportunidade dessa escolha e fique presa ao modelo vigente de filas angustiantes, deixo Jean-Jacques Rousseau, uma vez que o plano de consultas e exames em âmbito ambulatorial não será cogente e sim optativo: “O homem nasceu livre e por toda a parte vive acorrentado”. Está na hora de a população ser empoderada e ter mais liberdade de escolha para o acesso à saúde.

TENDÊNCIAS / DEBATES

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.



Fonte ==> Folha SP

Relacionados

Principais notícias

O Retorno do Astro: Paulo Valenttin leva o glamour brasileiro de volta às terras do Tio Sam
A Transição Econômica de Parauapebas
TikTok diz ter impacto de mais de R$ 18 bilhões no PIB do Brasil

Leia mais

Celular sem espaço? Veja os aplicativos que você pode apagar
Oracle corta 21 mil empregos e intensifica aposta em IA
Fotógrafo é sequestrado e queimado após ser vítima de golpe do amor em SP
Governo Lula inclui estupro virtual no Ligue 180 após alta nos casos de violência na internet
Uber atualiza lista de carros aceitos no Black e Comfort; veja mudanças para 2027
Uber atualiza lista de carros aceitos no Black e Comfort; veja mudanças para 2027
Giovanna Lancellotti processa Google após nome aparecer associado a sites pornográficos
Giovanna Lancellotti processa Google após nome aparecer associado a sites pornográficos
37 fintechs sem autorização do BC movimentam maior parte de recursos de bets ilegais
37 fintechs sem autorização do BC movimentam maior parte de recursos de bets ilegais
Fujimori se aproxima da presidência do Peru e Sánchez convoca protesto
Fujimori se aproxima da presidência do Peru e Sánchez convoca protesto