Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

Alimento, clima e margem: a nova pressão que o varejo já começou a sentir

Paulo Brenha

Especialista em estratégia de varejo, Paulo Brenha analisa como o risco climático pode impactar preços, rentabilidade e decisões comerciais nos próximos meses

O varejo brasileiro entra no segundo semestre diante de um novo desafio que promete testar a capacidade de adaptação das empresas: o retorno das preocupações com os impactos climáticos sobre a inflação de alimentos.

Embora a transformação digital, a inteligência artificial e as mudanças no comportamento do consumidor continuem ocupando espaço nas agendas corporativas, um fator tradicional volta a ganhar protagonismo: o clima.

Nas últimas semanas, economistas consultados pelo Banco Central passaram a incorporar em suas projeções os possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre a inflação brasileira. As estimativas indicam que o evento climático pode acrescentar cerca de 0,30 ponto percentual à inflação de 2026 e até 0,40 ponto percentual em 2027.

O alerta ganha relevância porque ocorre em um ambiente que já apresenta desafios importantes para o setor varejista. A inflação projetada para este ano permanece em torno de 5,2%, enquanto as estimativas para 2027 ainda se mantêm acima da meta oficial estabelecida pelo Banco Central.

Para Paulo Brenha, diretor comercial e especialista em estratégia de varejo, expansão e experiência do cliente, o momento exige uma mudança de mentalidade por parte dos gestores.

“O varejo sempre esteve acostumado a lidar com oscilações de mercado, mas agora estamos diante de uma combinação delicada. Clima, inflação e juros continuam pressionando custos e exigindo uma gestão muito mais estratégica das margens. Vender mais já não é suficiente. É preciso vender melhor”, afirma.

O impacto começa pelos alimentos

Historicamente, os primeiros reflexos de eventos climáticos extremos aparecem justamente nos produtos de maior recorrência de consumo.

Segundo análises divulgadas por instituições financeiras internacionais, categorias ligadas à produção agrícola, especialmente café, açúcar, frutas cítricas e outros alimentos sensíveis às condições climáticas, tendem a sentir os efeitos com maior velocidade.

Para o consumidor, o impacto costuma ser percebido imediatamente. Para o varejo, porém, os desafios vão além do aumento dos preços.

A questão central passa a ser como equilibrar competitividade, rentabilidade e percepção de valor em um cenário onde os custos aumentam, mas a capacidade de repasse possui limites.

Juros menores, mas ainda elevados

O contexto econômico torna essa equação ainda mais complexa.

Embora o Banco Central tenha iniciado um ciclo de flexibilização monetária e reduzido a taxa Selic para 14,25%, o custo do dinheiro continua elevado para operações de crédito, financiamento de estoques e expansão dos negócios.

Ao mesmo tempo, a economia brasileira mantém sinais de crescimento. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 1,1% no primeiro trimestre de 2026, impulsionado principalmente pelo consumo das famílias e pelos investimentos.

Na avaliação de Paulo Brenha, esse cenário cria uma situação peculiar para o varejo.

“A demanda continua existindo. O consumidor não desapareceu. O desafio agora é entender como ele reage quando itens essenciais começam a pressionar o orçamento familiar. É nesse momento que a inteligência comercial faz diferença”, destaca.

A nova agenda estratégica do varejo

Diante desse cenário, especialistas apontam que algumas práticas ganharão ainda mais importância dentro das operações varejistas.

Entre elas estão a gestão dinâmica de preços, a revisão constante do mix de produtos, o fortalecimento das estratégias de rentabilidade por categoria e uma disciplina promocional mais rigorosa.

Segundo Brenha, a leitura detalhada do comportamento do consumidor passa a ser um dos ativos mais valiosos para as empresas.

“Nem todos os produtos possuem a mesma elasticidade. Existem categorias em que pequenos reajustes geram forte impacto na demanda e outras em que o consumidor absorve melhor as mudanças. Conhecer essas diferenças é fundamental para proteger margem sem comprometer vendas”, explica.

Além disso, a análise de dados e o monitoramento constante dos indicadores de consumo tornam-se ferramentas indispensáveis para decisões mais rápidas e assertivas.

Onde estará a vantagem competitiva

Nos últimos anos, a competição no varejo esteve fortemente associada a preço, conveniência e experiência de compra.

Agora, segundo especialistas, um novo fator passa a ganhar relevância: a capacidade de interpretar cenários complexos e agir antes dos concorrentes.

Em um ambiente onde fatores externos como clima, inflação e juros influenciam diretamente o comportamento do mercado, a vantagem competitiva deixa de estar apenas em vender mais barato ou vender mais.

Ela passa a estar na capacidade de compreender quais categorias podem absorver reajustes, quais exigem proteção comercial e quais oportunidades podem surgir em meio à volatilidade.

Paulo Brenha

Paulo Brenha

O recado para o setor

Para Paulo Brenha, o momento representa um importante sinal de alerta para o varejo brasileiro.

“O próximo grande desafio talvez não venha de uma nova tecnologia ou de uma guerra promocional. Pode vir daquilo que historicamente impacta primeiro o bolso do consumidor: os alimentos. As empresas que conseguirem antecipar movimentos e tomar decisões baseadas em dados terão mais condições de proteger rentabilidade e manter competitividade”, conclui.

Enquanto o mercado acompanha os próximos movimentos da política monetária e os desdobramentos do cenário climático, uma certeza já começa a se desenhar: nos próximos meses, margem, preço e eficiência operacional voltarão a ocupar o centro das decisões estratégicas do varejo brasileiro. analisa como o risco climático pode impactar preços, rentabilidade e decisões comerciais nos próximos meses

O varejo brasileiro entra no segundo semestre diante de um novo desafio que promete testar a capacidade de adaptação das empresas: o retorno das preocupações com os impactos climáticos sobre a inflação de alimentos.

Embora a transformação digital, a inteligência artificial e as mudanças no comportamento do consumidor continuem ocupando espaço nas agendas corporativas, um fator tradicional volta a ganhar protagonismo: o clima.

Nas últimas semanas, economistas consultados pelo Banco Central passaram a incorporar em suas projeções os possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre a inflação brasileira. As estimativas indicam que o evento climático pode acrescentar cerca de 0,30 ponto percentual à inflação de 2026 e até 0,40 ponto percentual em 2027.

O alerta ganha relevância porque ocorre em um ambiente que já apresenta desafios importantes para o setor varejista. A inflação projetada para este ano permanece em torno de 5,2%, enquanto as estimativas para 2027 ainda se mantêm acima da meta oficial estabelecida pelo Banco Central.

Para Paulo Brenha, diretor comercial e especialista em estratégia de varejo, expansão e experiência do cliente, o momento exige uma mudança de mentalidade por parte dos gestores.

“O varejo sempre esteve acostumado a lidar com oscilações de mercado, mas agora estamos diante de uma combinação delicada. Clima, inflação e juros continuam pressionando custos e exigindo uma gestão muito mais estratégica das margens. Vender mais já não é suficiente. É preciso vender melhor”, afirma.

O impacto começa pelos alimentos

Historicamente, os primeiros reflexos de eventos climáticos extremos aparecem justamente nos produtos de maior recorrência de consumo.

Segundo análises divulgadas por instituições financeiras internacionais, categorias ligadas à produção agrícola, especialmente café, açúcar, frutas cítricas e outros alimentos sensíveis às condições climáticas, tendem a sentir os efeitos com maior velocidade.

Para o consumidor, o impacto costuma ser percebido imediatamente. Para o varejo, porém, os desafios vão além do aumento dos preços.

A questão central passa a ser como equilibrar competitividade, rentabilidade e percepção de valor em um cenário onde os custos aumentam, mas a capacidade de repasse possui limites.

Juros menores, mas ainda elevados

O contexto econômico torna essa equação ainda mais complexa.

Embora o Banco Central tenha iniciado um ciclo de flexibilização monetária e reduzido a taxa Selic para 14,25%, o custo do dinheiro continua elevado para operações de crédito, financiamento de estoques e expansão dos negócios.

Ao mesmo tempo, a economia brasileira mantém sinais de crescimento. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 1,1% no primeiro trimestre de 2026, impulsionado principalmente pelo consumo das famílias e pelos investimentos.

Na avaliação de Paulo Brenha, esse cenário cria uma situação peculiar para o varejo.

“A demanda continua existindo. O consumidor não desapareceu. O desafio agora é entender como ele reage quando itens essenciais começam a pressionar o orçamento familiar. É nesse momento que a inteligência comercial faz diferença”, destaca.

A nova agenda estratégica do varejo

Diante desse cenário, especialistas apontam que algumas práticas ganharão ainda mais importância dentro das operações varejistas.

Entre elas estão a gestão dinâmica de preços, a revisão constante do mix de produtos, o fortalecimento das estratégias de rentabilidade por categoria e uma disciplina promocional mais rigorosa.

Segundo Brenha, a leitura detalhada do comportamento do consumidor passa a ser um dos ativos mais valiosos para as empresas.

“Nem todos os produtos possuem a mesma elasticidade. Existem categorias em que pequenos reajustes geram forte impacto na demanda e outras em que o consumidor absorve melhor as mudanças. Conhecer essas diferenças é fundamental para proteger margem sem comprometer vendas”, explica.

Além disso, a análise de dados e o monitoramento constante dos indicadores de consumo tornam-se ferramentas indispensáveis para decisões mais rápidas e assertivas.

Onde estará a vantagem competitiva

Nos últimos anos, a competição no varejo esteve fortemente associada a preço, conveniência e experiência de compra.

Agora, segundo especialistas, um novo fator passa a ganhar relevância: a capacidade de interpretar cenários complexos e agir antes dos concorrentes.

Em um ambiente onde fatores externos como clima, inflação e juros influenciam diretamente o comportamento do mercado, a vantagem competitiva deixa de estar apenas em vender mais barato ou vender mais.

Ela passa a estar na capacidade de compreender quais categorias podem absorver reajustes, quais exigem proteção comercial e quais oportunidades podem surgir em meio à volatilidade.

O recado para o setor

Para Paulo Brenha, o momento representa um importante sinal de alerta para o varejo brasileiro.

“O próximo grande desafio talvez não venha de uma nova tecnologia ou de uma guerra promocional. Pode vir daquilo que historicamente impacta primeiro o bolso do consumidor: os alimentos. As empresas que conseguirem antecipar movimentos e tomar decisões baseadas em dados terão mais condições de proteger rentabilidade e manter competitividade”, conclui.

Enquanto o mercado acompanha os próximos movimentos da política monetária e os desdobramentos do cenário climático, uma certeza já começa a se desenhar: nos próximos meses, margem, preço e eficiência operacional voltarão a ocupar o centro das decisões estratégicas do varejo brasileiro.

__

Paulo Brenha é executivo de varejo e Customer Experience, com mais de 15 anos de atuação em grandes empresas de consumo e serviços. Diretor Comercial, LinkedIn Top Voice e uma das vozes mais influentes do Brasil em CX, Varejo e Comunicação, atua na interseção entre estratégia, vendas, experiência do cliente e desenvolvimento de pessoas, ajudando organizações a crescerem com propósito e resultado.

Com sólida formação acadêmica, incluindo programas na Fundação Dom Cabral, Harvard, MIT, FGV, FIA, PUCRS e especializações em Neuromarketing, Neuroeconomia e comportamento do consumidor pelo IBN, Paulo é reconhecido por transformar estratégia em execução prática, liderar times de alta performance e gerar impacto sustentável nos negócios.

Autor, palestrante e criador de conteúdos estratégicos, compartilha reflexões sobre liderança, varejo, inovação e performance comercial, sempre com foco em pessoas, consistência e geração de valor no longo prazo.

Relacionados

Principais notícias

O Retorno do Astro: Paulo Valenttin leva o glamour brasileiro de volta às terras do Tio Sam
A Transição Econômica de Parauapebas
TikTok diz ter impacto de mais de R$ 18 bilhões no PIB do Brasil

Leia mais

Copa 2026: jogos desta quinta-feira definem grupos D, E e F
Copa 2026: jogos desta quinta-feira definem grupos D, E e F
Celular sem espaço? Veja os aplicativos que você pode apagar
Oracle corta 21 mil empregos e intensifica aposta em IA
Fotógrafo é sequestrado e queimado após ser vítima de golpe do amor em SP
Governo Lula inclui estupro virtual no Ligue 180 após alta nos casos de violência na internet
Uber atualiza lista de carros aceitos no Black e Comfort; veja mudanças para 2027
Uber atualiza lista de carros aceitos no Black e Comfort; veja mudanças para 2027
Giovanna Lancellotti processa Google após nome aparecer associado a sites pornográficos
Giovanna Lancellotti processa Google após nome aparecer associado a sites pornográficos
37 fintechs sem autorização do BC movimentam maior parte de recursos de bets ilegais
37 fintechs sem autorização do BC movimentam maior parte de recursos de bets ilegais