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Petra Costa e seu ‘Apocalipse nos Trópicos’ – 07/06/2025 – Elio Gaspari

Cena de

A cineasta Petra Costa, autora do celebrado “Democracia em Vertigem”, concluiu seu novo filme. Chama-se “Apocalipse nos Trópicos” e trata do crescimento das igrejas evangélicas, desembocando no bolsonarismo, para deslizar na derrota eleitoral de 2022 e nas cenas do 8 de Janeiro.

O Brasil passou por momentos apocalípticos e vai bem, obrigado. O longa-metragem estreia no Rio e em São Paulo no dia 3 de julho.

No mesmo estilo contido de seu filme anterior, Petra relembrou dias que hoje parecem esquecidos e estão encapsulados em volumes de processos sobre as tramas golpistas de 2023/2024.

Neles, projetos apocalípticos como o plano Punhal Verde Amarelo acabam reduzidos a fanfarronadas de generais palacianos. Com a colaboração de Anna Virginia Balloussier, foram entrevistados líderes evangélicos, como o pastor Silas Malafaia.

Por mais estranho que pareça, a melhor explicação para o crescimento das igrejas evangélicas veio de Lula. A última pesquisa Quaest revelou que nesse segmento o índice de reprovação de seu governo chegou a 66%. (Entre os católicos a reprovação está em 53%.)

Em 1980 os evangélicos eram 5% da população brasileira. Hoje passam de 30%. Feio e irracional, o Brasil de “Apocalipse nos Trópicos” parece ter passado. Petra Costa revisita os dias da pandemia, quando o país tinha um presidente que normalizava a morte e duvidava da eficácia das vacinas.

Como em “Democracia em Vertigem”, “Apocalipse nos Trópicos” mostra um governo desafiado e derrotado. Num caso, quem estava no palácio era Dilma Rousseff. No outro, Jair Bolsonaro, com suas incitações catastrofistas.

Petra Costa foi feliz no achado do paralelo com um Apocalipse que ameaça, mas não chega.

O filme não trata do governo de Lula 3.0, mas quem for vê-lo poderá aquilatar-lhe o mérito de ter devolvido o Brasil a uma relativa normalidade. Aqui e ali estouram crises como as roubalheiras do INSS ou a trapalhada do IOF, mas a linguagem apocalíptica foi-se embora. Blindados da Marinha queimando óleo enquanto desfilavam em Brasília mostram um país jogado em crises artificiais, para nada.

Quem for ver “Apocalipse nos Trópicos” receberá a graça de poder repetir a despedida de Manuel Bandeira do beco da Lapa, onde vivia com suas tristezas e perplexidades: “Adeus para nunca mais”.



Fonte ==> Folha SP

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