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Uma resposta a Demétrio Magnoli – 04/05/2026 – Opinião

Homem de meia-idade com cabelo grisalho e camisa polo azul com listras verdes está sentado de perfil, gesticulando com a mão direita em ambiente interno com parede branca e janela ao fundo.

O colunista Demétrio Magnoli publicou nesta Folha artigo (“Liberdade para a opinião antissemita”, 1/5) em que me acusa de racismo contra o povo judeu e reitera a tese da sentença que me condenou a dois anos de prisão por denunciar as atrocidades praticadas pelo Estado de Israel contra o povo palestino: a falsa equiparação entre antissionismo e antissemitismo.

“Semitas” são povos que têm em comum um mesmo tronco linguístico, entre os quais estão os hebreus/judeus e os próprios palestinos. Antissemitismo é, portanto, racismo, o que repudio com todas as minhas forças.

“Sionistas” compõem um movimento político —o sionismo, cuja ideologia racista e colonialista é a base do Estado de Israel, que iniciou em 1948 uma guerra de limpeza étnica contra o povo palestino para ocupar suas terras. O antissionismo se opõe a tudo isso, luta à qual me somo com todas as minhas forças.

Não se trata de opinião isolada. O historiador judeu Ilan Pappé documenta esse processo em “A Limpeza Étnica na Palestina“. Centenas de organizações judaicas como a Jewish Voice for Peace” (JVP), nos EUA, ou “Vozes Judaicas pela Libertação”, no Brasil, também denunciam o caráter racista e colonialista do Estado de Israel e rejeitam a falácia dessa equiparação.

É verdade que segue havendo colonialismo e racismo no mundo. Atuais, na forma da espoliação realizada pelo imperialismo contra países como o Brasil. E do passado com consequências até hoje, como os crimes de lesa humanidade cometido contra povos africanos sequestrados e escravizados, ou o genocídio dos povos originários, como ocorreu no Brasil e nos EUA, por exemplo.

A humanidade ainda ajustará contas com essa história, com a devida reparação, quando a classe trabalhadora libertá-la do capitalismo decadente. Mas o interessante aqui é ver como esses exemplos bárbaros do passado são usados pelo jornalista para diluir e justificar a barbaridade do presente: o genocídio do povo palestino pelo Estado de Israel.

É o Estado de Israel, não um contrato abstrato entre pessoas, o responsável pela mortandade de mulheres e crianças pelo exército israelense na Faixa de Gaza. E nenhum Estado tem o direito de se constituir numa região assassinando e expulsando a população que ali vivia.

Acusar de racistas os que protestam contra essa atrocidade é o recurso desesperado que restou ao sionismo.

Defender o fim dessas atrocidades é um direito; ou mais, uma obrigação. Assim como quase toda a humanidade defendeu o fim do apartheid (racista e colonialista) na África do Sul, é preciso defender o fim do Estado (racista e colonialista) de Israel. Para pôr fim ao genocídio do povo palestino e permitir a volta dos que foram expulsos de sua terra.

Só assim poderá florescer uma Palestina laica, democrática e não racista, onde possam conviver palestinos, judeus que que aceitarem viver em paz e demais etnias da região. Assim como na África do Sul convivem brancos e negros.

Magnoli não escreveu seu artigo para defender o meu direito de expressão. O fez para defender o sionismo, seu Estado e as atrocidades que pratica contra o povo palestino. Como se vê, não concordo com Magnoli. Mas acho bom que o sionismo coloque a cara para defender abertamente suas opiniões. Assim poderemos combate-lo à luz do dia.

Não nos calarão. E a Palestina haverá de ser livre, do rio Jordão até o mar.

TENDÊNCIAS / DEBATES

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.



Fonte ==> Folha SP

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