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Feminicídio em Vitória/ES: O Brasil não pode mais fechar os olhos

Mulher em primeiro plano com expressão firme diante de cenário urbano com velas, faixa policial e cartazes contra feminicídio ao fundo
Não foi um caso isolado. Foi mais um alerta ignorado até virar tragédia.

Cada mulher assassinada é uma derrota da sociedade: basta de impunidade.

Vitória/ES amanheceu em luto no dia 23 de março. A comandante da Guarda Municipal, Dayse Barbosa, de 37 anos, foi brutalmente assassinada com cinco tiros pelo ex-namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, que em seguida tirou a própria vida. Um crime bárbaro, covarde e revoltante, que deixou uma filha de apenas sete anos sem mãe e uma cidade inteira em choque.

O assassino já respondia a um processo administrativo disciplinar por importunação sexual e estava prestes a ser demitido da corporação. Não aceitava o fim do relacionamento e perseguia a vítima, chegando a arrombar sua porta em ocasiões anteriores. A tragédia expõe, mais uma vez, a face cruel do feminicídio: homens que se julgam donos da vida das mulheres e que, diante da recusa, recorrem à violência extrema.

Dayse não tombou sozinha: cada feminicídio é um ataque contra todas nós.

Recentemente, integrando a Delegação Brasileira na CSW70 da ONU, estive em Nova York e participei de intensos debates sobre a situação das mulheres, meninas e indígenas no mundo. O feminicídio foi tema altamente relevante e amplamente debatido. Vem sendo  tratado como uma prática delituosa que precisa ser exterminada.

A Ministra de Estado das Mulheres, Márcia Lopes, conclamou a união de todos — homens e mulheres — para pôr fim ao extermínio diário de mulheres. Esse chamado internacional ecoa ainda mais forte diante da tragédia que se abateu sobre Vitória/ES.

O Prefeito da cidade decretou luto oficial de três dias, reconhecendo a trajetória exemplar de Dayse Barbosa, marcada por sua ética, coragem e firmeza de atuação na defesa dos direitos das mulheres. Perfeito o ato de solidariedade em respeito à Comandante Dayse Barbosa. Entretanto, decretar luto não basta. É preciso ação.

Quando o Estado falha em proteger, o silêncio da sociedade se torna cúmplice.

O crime em comento não pode ser tratado como mais um número nas estatísticas. Ele é um grito de alerta:

Quantas mulheres ainda precisarão tombar para que o Estado reaja? Quantas famílias ainda serão destruídas pela covardia do feminicídio? Até quando a sociedade aceitará que a vida das mulheres seja descartada pela violência em machista?

É hora de exigir:                                                                                                                                

  • Leis mais severas, que punam com rigor e sem brechas os agressores.
  • Políticas públicas eficazes, que protejam as mulheres antes que seja tarde.
  • Educação transformadora, para desconstruir o machismo estrutural que alimenta essa violência.
  • Responsabilização das autoridades, que não podem mais se omitir diante de crimes anunciados.

Não é apenas luto, é revolta: basta de impunidade, basta de covardia.                                           

Dayse Barbosa não pode ser esquecida. Sua morte precisa ser um marco, um divisor de águas. O Brasil precisa acordar. O mundo precisa acordar. Porque cada feminicídio é uma derrota coletiva, é uma ferida aberta na democracia, é um crime contra toda a humanidade.

O silêncio diante do feminicídio é cumplicidade – BASTA! É hora de reagir.

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