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Lula preferiu um jogo de perde-perde – 01/07/2025 – Elio Gaspari

A imagem mostra um grupo de pessoas em um evento. Em primeiro plano, um homem de cabelo grisalho e barba branca, vestindo uma camisa clara e um paletó escuro, parece pensativo. Ao fundo, outras pessoas estão visíveis, algumas com expressões neutras, e outras em conversação. A iluminação é suave e o ambiente parece ser interno.

Existe um mau espírito em Brasília e ele às vezes captura o presidente, fazendo com que exacerbe as crises que entram no Palácio do Planalto. Com Bolsonaro, o mau espírito fez a festa, levando-o a falar em “meu Exército”, louvar a cloroquina e demonizar as vacinas. Lá se foi o tempo de Fernando Henrique Cardoso, quando as crises entravam gordas no Planalto e saíam magras.

Lula decidiu levar ao Supremo Tribunal Federal a questão do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras. Seja qual for a decisão do STF, o governo de Lula perde. Se perder, perdeu, se ganhar terá que lidar com um Congresso ferido. Tudo isso por causa de um aumento de imposto incentivado na sanduicheria do Ministério da Fazenda, sem que fossem ouvidos o Banco Central e ministros que cuidam da imagem do governo. Se os çábios da Fazenda tivessem mais humildade, teriam tirado o combo do escurinho de Brasília, ouvindo colegas do governo buscariam outras ideias.

O aumento do IOF foi um “combo” (nas palavras do ministro Fernando Haddad), para compensar uma perda de arrecadação na busca de equilíbrio das contas públicas. No sanduíche viria também um corte de gastos. O “combo” desandou, e o governo tentou, sem sucesso, negociar uma gambiarra. Não conseguiu e resolveu ir para o tudo ou nada no plenário. Na realidade tratava-se de um nada ou nada, pois o presidente da Câmara tinha avisado que não havia votos suficientes para aprová-lo. Batido, o mau espírito convenceu Lula a zangar-se com Hugo Motta e a levar a crise para o Supremo.

Ao escalar Motta para bode expiatório, a turma da Fazenda e uma parte do Planalto resolveram ampliar a crise. Terão de lidar com um aliado ferido.

Na retórica oficial, a ida ao STF pretende defender uma prerrogativa constitucional do Poder Executivo. No recheio de um novo combo, enfiaram também uma hipotética defesa do andar de baixo.

Contem outra, doutores. Apesar da promessa de Lula na sua posse, a fila dos segurados do INSS chegou a 3,9 milhões. Desde 2019 (governo Bolsonaro) milhares de aposentados vinham reclamando das tungas que tomavam de entidades fraudulentas. Até a metade deste ano os larápios tiveram mão livre e roubaram bilhões de reais de milhões de segurados.

Uma medida provisória publicada no último dia 11 mexeu no prazo do auxílio-doença concedido a partir de uma análise documental. O segurado podia receber seu benefício por 180 dias. Agora, só o receberá por 30 dias. Passado esse prazo, deverá conseguir uma perícia médica presencial ou ser atendido por um serviço de telemedicina.

Antes mesmo da sua vitória no segundo turno, Lula sabia que os eleitores haviam escolhido um Congresso conservador, com uma banda feroz. Ele prometia amortecer essa desdita conversando com parlamentares, mas jogou as palavras ao vento.

No perde-perde em que se meteu, o melhor resultado para a encrenca seria perder no tribunal. Ganhando, levará água para a banda feroz, às vésperas de um ano eleitoral, com um governo em viés de baixa junto à opinião pública. Uma receita para novos desastres.



Fonte ==> Folha SP

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