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Rui Cardoso de Abreu Xavier: Já estou com saudades – 02/03/2025 – Ana Cristina Rosa

Um homem idoso com cabelo grisalho e barba, vestindo uma camiseta preta, está sentado em um sofá claro. Ele está gesticulando com a mão direita, enquanto parece estar em uma conversa. O fundo é neutro e suave.

É Carnaval, e desde a sexta-feira (28), milhares de pessoas acompanham e se divertem com os desfiles das escolas de samba da série ouro e do grupo especial do Rio de Janeiro, na Marquês de Sapucaí.

Poucos não se encantam com o espetáculo majestoso construído por gente que vive nas periferias. Mas quantos já ouviram falar de Hilário Jovino Ferreira? A resposta é: pouca gente. Com certeza não seria assim se a contribuição afro para a cultura brasileira fosse difundida e valorizada.

Descobri esse importante personagem do nosso Carnaval recentemente, por acaso, ao visitar a Pequena África. Ao pé de uma das ladeiras do Morro da Conceição, na região portuária do Rio, encontrei a figura desse homem preto estampada num mosaico instalado numa parede.

Hilário Jovino foi fundador do primeiro rancho carnavalesco, o Rei do Ouro (1893). Para quem não sabe, os ranchos predominaram no carnaval carioca nas três primeiras décadas do século 20. Precederam o surgimento das escolas de samba. Hilário é considerado também um dos criadores da coreografia do mestre sala e responsável pela fixação desse personagem nos desfiles. Morreu numa quarta-feira de cinzas, em 1º de março de 1933.

Estava sentada escrevendo sobre esse sambista e compositor quando fui atravessada pela notícia da morte de um amigo muito especial, o jornalista Rui Cardoso de Abreu Xavier ou, para mim, o “RX”. Protagonista de uma trajetória de vida de superação, ele também deixou este plano num dia 1º de março, em pleno Carnaval de 2025.

Rui Xavier acompanhou minha trajetória profissional e pessoal desde que cheguei a São Paulo para trabalhar na grande imprensa, na década de 1990. Aprendi muito com ele. Foi tão presente e importante que o adotei como um “pai por afeição”. Busco forças para enfrentar a tristeza com as muitas lembranças boas que guardo comigo. Resta esgotar as lágrimas antes de me despedir do meu amigo. Porque ele não queria choro ao seu lado.

Rui, descansa em paz.

Já estou com saudades.



Fonte ==> Folha SP

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