Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

Servidores do IBGE fazem abaixo-assinado contra presidente e defesa da autonomia

Veto integral de Lula já era esperado e deve passar pela análise das duas casas. Há, ainda, a possibilidade de ação no STF.

Servidores do IBGE divulgaram uma carta aberta acompanhada de um abaixo-assinado em que denunciam ações de represália dentro do órgão e pedem apoio público à autonomia institucional, além de mudanças no modelo de escolha da presidência. O movimento intensifica a crise interna com a gestão de Marcio Pochmann, escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no início desde governo sob críticas internas e externas.

De acordo com o documento a que o jornal O Globo teve acesso e que foi confirmado pela Gazeta do Povo, os servidores afirmam que o conflito com a atual gestão se agravou ao longo dos últimos meses, com sucessivas exonerações e pressões internas.

“Não se trata de divergência ideológica. Trata-se da preservação de uma instituição de Estado cuja credibilidade foi construída ao longo de quase nove décadas de compromisso com o rigor metodológico, a neutralidade técnica e o interesse público. O IBGE não pertence a governos. Pertence à República”, diz a carta (veja na íntegra).

A reportagem procurou o IBGE para comentar o manifesto e aguarda retorno.

VEJA TAMBÉM:

  • Maioria do Congresso prevê queda do veto de Lula ao PL da dosimetria, diz pesquisa

O texto, de autoria dos próprios servidores, não é ligado oficialmente à entidade de classe da categoria. No entanto, a Assibge-SN afirma que o documento reafirma pontos já levantados em protestos anteriores pela “insatisfação generalizada da categoria”.

“A crescente preocupação dos servidores com as consequências institucionais de uma gestão desastrosa que, embora tenha assumido o comando do IBGE em condições políticas excepcionalmente favoráveis, rapidamente perdeu as condições de conduzir um projeto de fortalecimento institucional à altura das necessidades do país”, afirmou a Assibge-SN em nota à reportagem.

A entidade afirma, ainda, que Marcio Pochmann tem se recusado a receber a representação sindical, aceita apenas colaborações “dentro de seus próprios termos” e, “de forma recorrente, despreza o saber acumulado pelos servidores, alimentando a atual sensação de desrespeito e abandono institucional”.

Segundo o texto do abaixo-assinado, entre os anos de 2023 e 2024, mais de 20 servidores foram retirados dos cargos “de forma mandatória ou por solicitação, devido a discordâncias técnicas e de compliance com a gestão atual”. A carta também menciona novos desligamentos e saídas em 2025, destacando que, em janeiro de 2026, a “ruptura alcançou o núcleo mais sensível da produção estatística brasileira”.

O episódio citado como mais grave envolve a saída da coordenadora de Contas Nacionais, Rebeca Palis, considerada referência técnica, durante o processo de construção da nova base do Produto Interno Bruto (PIB). Para os servidores, o caso simboliza o que classificam como perda de critérios técnicos e aumento de decisões administrativas com viés político.

“O acúmulo desses episódios revela um padrão objetivo: substituições reiteradas de quadros experientes em áreas estruturantes, em momentos sensíveis e sem fundamentação técnica publicamente explicitada. O efeito cumulativo é a fragilização da estabilidade técnica e da memória institucional que sempre distinguiram o IBGE”, pontua.

A carta ressalta que o IBGE tem um papel central na formulação de políticas públicas, sendo responsável por indicadores como o cálculo do PIB, medição da inflação e realização de censos. E que, “se a credibilidade do IBGE é tensionada, fragilizam-se políticas públicas, decisões orçamentárias, relações federativas e a própria segurança jurídica do Estado brasileiro”.

“A credibilidade do IBGE sempre esteve associada não apenas à qualidade metodológica, mas ao controle integral, interno e institucional de seus processos de coleta, tratamento e guarda de informações. Modificar essa lógica exige debate transparente, participação técnica qualificada e garantias inequívocas de preservação da autonomia”, cita o documento.

Em outro trecho, os servidores defendem que a presidência deixe de ser uma indicação direta do presidente da República – como ocorreu com Pochmann – e passe a seguir uma lista tríplice eleita pelos próprios servidores, modelo já adotado em outras instituições públicas.

O abaixo-assinado também menciona a PEC 27/2021, que propõe transformar órgãos como IBGE, Inep, Ipea, Capes e CNPq em instituições permanentes de Estado, com maior autonomia técnica e orçamentária. Para os signatários, a proposta “reflete a compreensão de que a autonomia técnica do IBGE precisa de salvaguarda estrutural”.



Fonte ==> UOL

Relacionados

Principais notícias

O Crime Quase Perfeito: A Fraude de Diplomas que Engana o Brasil
O avanço do e-commerce regional e de nicho: como pequenos negócios estão conquistando espaço digital
Como mais de 3,8 mil escolas do Amazonas estão se mobilizando para melhorar a qualidade da educação pública

Leia mais

Consumidores ficaram 9,3 horas em média sem energia em 2025, diz Aneel; redução é de 9,2%
Consumidores ficaram 9,3 horas em média sem energia em 2025, diz Aneel; redução é de 9,2%
Festival do Cambuci de Paranapiacaba
Festival do Cambuci chega à 21ª edição e projeta Paranapiacaba como destino de experiências gastronômicas e culturais na Mata Atlântica
Dólar cai até R$ 4,97 e Bolsa bate recorde com negociações entre EUA e Irã em foco
Dólar cai até R$ 4,97 e Bolsa bate recorde com negociações entre EUA e Irã em foco
Ramagem é preso pelo ICE, serviço de imigração dos Estados Unidos, diz PF
Ramagem é preso pelo ICE, serviço de imigração dos Estados Unidos, diz PF
Flávio Bolsonaro chama Tereza Cristina de 'sonho de consumo' ao responder sobre vaga de vice
Flávio Bolsonaro busca marqueteiros que evitem radicalização na campanha
Governo quer liberar R$ 7 bilhões do FGTS de 10 milhões de trabalhadores, diz Marinho
Governo quer liberar R$ 7 bilhões do FGTS de 10 milhões de trabalhadores, diz Marinho